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Governo de São Paulo aloca R$ 12 milhões para impedir a perda de areia na Ilha do Cardoso

Projeto de R$ 12 milhões visa conter o avanço da erosão na Ilha do Cardoso, situada no litoral de São Paulo. O Executivo de São Paulo iniciou a obra de R$ 12 milhões para conter a erosão no Estreito do Melão, localizado na Ilha do Cardoso, município de Cananéia (SP). A intervenção, que durará nove meses, tem o objetivo de estabilizar a porção mais vulnerável ao deslocamento de areia. Realizada pela Fundação Florestal em parceria com a SP Águas, a ação inclui a dragagem.

A estratégia de engenharia envolve a extração e o realocamento de sedimentos para recompor e reforçar o cordão arenoso, região mais sensível à dinâmica costeira local. ✅
A erosão ocorre por ação de agentes naturais, como água e vento. Conforme afirma o promotor de Justiça Paulo Campos dos Santos, na Ilha do Cardoso o processo se intensificou devido ao aumento do nível do mar e a ocorrência de eventos extremos ligados às mudanças climáticas.

Fundação Florestal
O diretor‑executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, informou que a primeira fase consiste na colocação de geotubos na região voltada para o oceano. As estruturas são preenchidas com areia e não geram impactos ambientais. “Essa estrutura contribuirá para proteger o cordão arenoso da erosão e impedir o rompimento do Estreito do Melão.”

Essa medida é crucial, pois uma ruptura causaria severos prejuízos às comunidades situadas ao norte”, destacou Levkovicz. Um rompimento do Estreito do Melão afetaria a Enseada da Baleia, Vila Rápida, Marujá e um complexo de manguezais, gerando impactos diretos sobre a pesca artesanal e a navegação.

A obra de contenção do avanço erosivo do Estreito do Melão teve início na Ilha do Cardoso, em Cananéia.
O Ministério Público acompanhou a contratação da obra por meio de vistorias na área, contando com a presença da Defensoria Pública, representantes das comunidades locais e equipes técnicas dos órgãos estaduais.
Representantes das comunidades tradicionais consideram que o início da obra é uma conquista após anos de mobilização.

O engenheiro ambiental Jorge Cardoso, caiçara e morador da Enseada da Baleia, afirmou que a intervenção representa um marco. “As comunidades não desejam abandonar seus espaços. Existe um forte vínculo afetivo com seu território”, ressaltou.

Estrutura de contenção localizada na Ilha do Cardoso, em Cananéia, foi reproduzida pelo MP‑SP.
A cientista social Tatiana Cardoso, assessora técnica da Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais da Ilha do Cardoso, destacou a relevância da medida para mitigar riscos e assegurar a continuidade do modo de vida caiçara. “A obra nasce de anos de mobilização comunitária e contribui para reduzir os riscos enfrentados pelas comunidades tradicionais, garantindo a permanência das famílias em seus territórios e a continuidade dos modos de vida caiçaras”, afirmou.
Em março deste ano, o MP apresentou à Justiça de Cananéia um parecer técnico indicando risco iminente de rompimento do Estreito do Melão.

O documento apontou que, no trecho mais crítico, a faixa de terra havia se reduzido para aproximadamente 50 metros. Existia risco de rompimento ainda em 2026, o que geraria uma nova ilha e isolaria os moradores. Na ocasião, a Justiça determinou que a Fundação Florestal e o Estado elaborassem um plano emergencial para proteger a região.

Em 2018, um novo rompimento modificou a configuração da ilha e obrigou a realocação de comunidades locais. O mar invadiu comércios na Ilha do Cardoso, em Cananéia (SP).

Arquivo pessoal/Junior Neves
Vídeos: g1 em 1 minuto Santos

Fonte: G1 Nacional

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