Geólogo revela que meteorito que gerou uma das maiores crateras brasileiras nunca atingiu o solo, explicando a formação da Serra da Cangalha
Meteorito, energia e uma imponente cratera: descubra a origem da Serra da Cangalha no Tocantins
Há aproximadamente 300 milhões de anos, um objeto de cerca de 20 mil toneladas explodiu antes de alcançar o solo no atual município de Campos Lindos, no norte do Tocantins. Sem entrar em contato com a superfície, a gigantesca energia liberada pela explosão deformou as rochas da Bacia Sedimentar do Parnaíba, originando a Serra da Cangalha, uma das maiores crateras de impacto do Brasil, com 13,7 km de diâmetro e mais de 400 m de altura, conforme relatam os geólogos.
A intensidade da força gerou anéis concêntricos no relevo, ainda visíveis nas imagens de satélite, análogos às ondas formadas ao lançar uma pedra em um rio. “Ele se desfez antes mesmo de tocar o solo, mas liberou uma quantidade enorme de energia que deformou as rochas que compõem a Bacia Sedimentar do Parnaíba”, explicou recentemente ao g1 o geólogo e professor da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Fernando de Morais. 📱
Meteorito, energia e uma gigantesca cratera: conheça a formação da Serra da Cangalha no Tocantins
A queda do meteorito, ocorrida há 300 milhões de anos, originou uma das maiores crateras do país: a Serra da Cangalha
A Serra da Cangalha abriga uma das maiores crateras do território brasileiro
Reprodução/Prefeitura de Campos Lindos
Monumento geológico
A formação foi detectada na década de 1970 durante o Projeto Radam Brasil, porém, inicialmente, foi interpretada apenas como um domo. Só depois de análises das rochas deformadas os pesquisadores reconheceram tratar-se de uma cratera de impacto. Atualmente, a Serra da Cangalha é catalogada como um monumento geológico com expressivo potencial para o geoturismo.
Em 2012, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) analisou a possibilidade de transformar a região em patrimônio nacional ou paisagem cultural, mas a iniciativa não seguiu adiante. No local, os visitantes percorrem trilhas e observam de perto o fenômeno que deu forma à paisagem ao longo de milhões de anos. O atrativo disponibiliza experiências exclusivas, como:
Trilhas nos anéis: percursos de 3 km que conduzem os turistas do segundo anel ao núcleo do impacto.
Cachoeiras e Cavernas: quedas d’água localizadas dentro da cratera e a recentemente identificada “Caverna do Meteoro”. Voo de paramotor: sobrevoos que proporcionam visão privilegiada da extensão do “buraco” gerado pela energia do bólido. Conforme o prefeito Romeu Kalugin (Republicanos), o local representa uma das raras crateras de impacto de tal porte que ainda se mantêm 100% preservadas pela natureza.
Segundo o prefeito, “A única totalmente preservada pela natureza é a nossa. Ela mantém o local exato do impacto do meteorito, algo que desperta curiosidade por onde é apresentada”, afirmou. Ele destacou que a administração municipal atua em conjunto com os proprietários das áreas para facilitar o acesso ao local e estimular projetos que atraiam turistas para o interior da cratera.
“O objetivo é colocar Campos Lindos na rota definitiva de quem vem ao Tocantins em busca de mistério, ciência e paisagens exclusivas que não se encontram em nenhum outro ponto do país”, ressaltou. Anéis e ‘cangalha’
Serra da Cangalha
Reprodução/ Google Maps
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Fonte: G1 Nacional
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