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Crédito do Plano Safra revoluciona a produção de manga no semiárido de Pernambuco

Há 15 anos, Iranildo da Silva Santana optou por iniciar o plantio de manga. Inicialmente cultivava dois hectares no Assentamento Mansueto de Lavor, localizado no Vale do São Francisco, em Petrolina (PE). Atualmente, a área chega a 11,5 hectares, dos quais 6 já estão em produção adulta.

“Comecei com dois. Na prática, plantei tudo de imediato”, recorda, sorrindo ao lembrar da pressa das décadas passadas. A escolha pela manga não foi aleatória.

“Para mim, a manga trouxe mais facilidade na mão de obra e em outros aspectos. A produção na região do Vale do São Francisco é excelente; ao plantar, é possível alcançar cerca de 50 toneladas por hectare”, afirma.

Iranildo planta as variedades palmer, tommy e rosa, além de milho e mamão em consórcio nas áreas externas. Contudo, declara preferência pela manga palmer. Nessa cultura, a colheita chega a aproximadamente 900 mil caixas por safra.

Antes da chegada da água, a produção sofria com a escassez hídrica, exigindo irrigação noturna para economizar energia e reduzir a conta de luz. Essa foi a realidade de Iranildo, mas não foi isolada: segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o semiárido cobre grande parte do Nordeste e do norte de Minas Gerais, onde chuvas irregulares e longos períodos de seca tornam a irrigação artificial essencial para a agricultura.

“Era quase meia-noite, abrindo registro após registro, com a lanterna acesa, regando à noite para poupar energia e evitar custos elevados. Não conseguia dormir bem; muitas vezes, à madrugada, pensava em desistir”, recorda o cooperado.

A mudança ocorreu com o crédito rural do Plano Safra. Ele ampliou a adutora que conduz água do rio até a propriedade, na região de Mansueto. O investimento totalizou cerca de R$ 180 mil, dos quais parte foi financiada pela Cresol.

Em seguida, instalou um sistema de irrigação completo, composto por canos, boias, bombas, microaspersores e mangueiras. O custo total foi de quase R$ 400 mil, também bancado pela cooperativa. “Depois que o Plano Safra chegou, foi uma maravilha para mim.”

Antes, a propriedade era gerida sem nenhum recurso bancário. Atualmente, consigo produzir as mangas e realizar os investimentos necessários, como aplicar calcário, gesso e corrigir o solo. Isso faz uma grande diferença.

“Sem esse crédito, não sei o que seria de mim”, resume Iranildo. O crédito beneficia cerca de 100 famílias.

Hoje, a propriedade emprega quatro colaboradores fixos, e Iranildo conta com o apoio da esposa, Rosicleide, e do filho, que auxiliam nos fins de semana. O efeito vai além da própria fazenda.

Segundo o produtor, aproximadamente 100 famílias do assentamento sobrevivem atualmente da fruticultura irrigada, número impensável na época em que a água mal reachava o final das fileiras. “Aqui é o sustento. Todos se voltam para a fruticultura, seja uva, manga ou pinha.”

O cooperado reforça a importância do crédito acessível: “Com taxas mais baixas, conseguimos maior margem e nos preocupamos menos com o custo na venda.”

Acompanhando de perto Iranildo e Rosicleide está Higor Emanuel de Carvalho Alves, gerente de conta na agência da Cresol em Lagoa Grande. Ele afirma que a propriedade no Vale do São Francisco possui um perfil de fruticultura irrigada que tem se destacado na carteira da agência. O gerente destaca que o apoio da cooperativa vai além da concessão de crédito.

“Auxiliamos nos momentos críticos, como a instalação da placa solar e toda a estrutura de irrigação”, afirma. Além disso, oferecemos suporte recorrente durante a colheita, quando o alto custo da mão de obra impacta o caixa do produtor: “No processo de colheita, que demanda grande mão de obra, garantimos linhas de custeio do BNDES e da própria cooperativa”. O acompanhamento não se encerra com a assinatura do contrato.

A agência realiza visitas periódicas, dando prioridade a quem necessita de maior suporte ou enfrenta dificuldades financeiras, além de fazer visitas técnicas do projetista no momento da solicitação de crédito do BNDES e na aplicação dos recursos.

A manga é a fruta mais exportada do Brasil; em 2025, registrou mais de 290 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 335,1 milhões, de acordo com balanço da Embrapa divulgado no Observatório da Manga.

O Vale do Submédio São Francisco concentrou mais de 92% desses embarques, com destaque para as variedades Palmer e Tommy Atkins. Parte dessa força provém do Projeto de Irrigação PI-Manga, em operação na região desde 2002. Segundo a Embrapa, em 2025 o programa já contava com 38 mil hectares sob manejo irrigado, gerando cerca de 152 mil empregos diretos e indiretos, ou seja, um emprego direto permanente para cada três hectares cultivados.

A trajetória de Iranildo reflete o que esses números buscam medir: uma família que substituiu a lanterna e a mangueira arrastada de madrugada por um sistema de irrigação construído com crédito, esforço e fé. “Primeiro, agradeço a Deus, que me dá força, coragem e determinação para lutar. Em seguida, agradeço à cooperativa Cresol, que me proporcionou todo o incentivo, força e apoio para trabalhar.”

Atualmente, possuo 11,5 hectares de manga e sou profundamente grato aos colaboradores da cooperativa, que sempre me atenderam e acreditaram no meu trabalho.

Desde 2003, o Plano Safra se destaca como principal instrumento de incentivo ao agronegócio brasileiro, oferecendo linhas de crédito para custeio, investimento e modernização das propriedades rurais. Nesta série de reportagens sobre o Plano Safra, a Cresol divulga as modalidades de financiamento disponíveis e demonstra como produtores de diferentes segmentos utilizam esses recursos para fortalecer seus negócios, ampliar a produção e investir no futuro.

As matérias serão publicadas às terças‑feiras, no período compreendido entre junho e agosto.

Fonte: G1 Nacional

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