Superávit comercial da China ultrapassa US$ 1 trilhão pela 1ª vez, com crescimento fora dos EUA

Por Henrique Lucas

mundo | 08/12/2025 08h33

Superávit comercial da China ultrapassa US$ 1 trilhão pela 1ª vez, com crescimento fora dos EUA

O superávit comercial da China ultrapassou US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões) no ano até novembro, conforme fabricantes do gigante asiático passaram a enviar mais produtos para fora dos Estados Unidos, em uma tentativa de driblar as tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump. Essa foi a primeira vez que o país atingiu a marca.


Com isso, exportações da China para a Europa, Austrália e para o sudeste asiático registraram forte crescimento no período.


"Esperamos que as exportações da China permaneçam resilientes, com o país continuando a ganhar participação no mercado global no próximo ano", completou a economista, reforçando que o redirecionamento do comércio para compensar o impacto das tarifas negativas vindas dos EUA continua a aumentar.

No geral, as exportações chinesas cresceram 5,9% em novembro em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados da alfândega divulgados nesta segunda-feira (8). O resultado reverte a contração de 1,1% registrada em outubro e supera a previsão do mercado, que projetava uma alta de 3,8% para o mês.

Assim, o superávit comercial da China foi de aproximadamente US$ 111,7 bilhões (R$ 606 bilhões) em novembro, no maior patamar desde junho e também acima das estimativas do mercado, de US$ 100,2 bilhões (R$ 543,6 bilhões).

EUA x China


Desde a vitória de Trump nas eleições americanas de novembro de 2024, a China intensificou seus esforços para diversificar seus mercados de exportação, buscando estreitar laços comerciais com o sudeste asiático e a União Europeia.

O país também tem aproveitado a presença global de suas empresas para estabelecer novos polos de produção com acesso a tarifas reduzidas.

Diante desse cenário, as remessas chinesas para os EUA caíram 29% no ano até novembro em comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto as exportações para a União Europeia cresceram 14,8% anualmente. As remessas para a Austrália aumentaram 35,8%, e as economias do sudeste asiático, em rápido crescimento, importaram 8,2% mais mercadorias no mesmo período.


A queda acentuada das exportações para os EUA ocorreu apesar das notícias de que as duas maiores economias do mundo haviam concordado em reduzir algumas de suas tarifas e uma série de outras medidas após o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping na Coreia do Sul em 30 de outubro.

A tarifa média dos EUA sobre produtos chineses é de 47,5%, bem acima do limite de 40% que, segundo economistas, reduz as margens de lucro dos exportadores chineses.

"Máquinas eletrônicas e semicondutores parecem ser fundamentais [para o aumento das exportações]", disse Dan Wang, diretor da Eurasia Group para a China à Reuters.