{"id":3090,"date":"2026-05-17T21:55:47","date_gmt":"2026-05-18T00:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/agoracariri.bops.com.br\/?p=3090"},"modified":"2026-05-17T21:55:47","modified_gmt":"2026-05-18T00:55:47","slug":"maes-atipicas-relatam-desafios-sobrecarga-e-transformacao-na-rotina-apos-diagnostico-dos-filhos-na-paraiba-e-a-minha-maior-luta-diz-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agoracariri.bops.com.br\/?p=3090","title":{"rendered":"M\u00e3es at\u00edpicas relatam desafios, sobrecarga e transforma\u00e7\u00e3o na rotina ap\u00f3s diagn\u00f3stico dos filhos na Para\u00edba: \u2018\u00c9 a minha maior luta\u2019, diz m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e9rie especial mostra rotina e desafios de m\u00e3es at\u00edpicas A maternidade \u00e9 marcada por uma rotina de cuidados, responsabilidades e dedica\u00e7\u00e3o constante. Para m\u00e3es at\u00edpicas, que s\u00e3o mulheres que cuidam de filhos com defici\u00eancia, transtornos ou condi\u00e7\u00f5es que demandam acompanhamento cont\u00ednuo, essa realidade costuma ser ainda mais intensa, com jornadas que envolvem terapias, consultas m\u00e9dicas, adapta\u00e7\u00e3o da rotina familiar e aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0s necessidades das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Entre desafios di\u00e1rios, mudan\u00e7as na vida profissional e a busca por rede de apoio, m\u00e3es at\u00edpicas enfrentam uma rotina que m arcada pela sobrecarga f\u00edsica e emocional. Em Campina Grande e Lagoa Seca, no Agreste da Para\u00edba, as m\u00e3es Ediv\u00e2nia, M\u00f4nica e Andressa compartilham \u00e0 Rede Para\u00edba experi\u00eancias sobre os desafios e aprendizados vividos no cuidado com os filhos.<\/p>\n<p>O momento, marcado pelas incertezas da doen\u00e7a e pelo isolamento social, tamb\u00e9m foi acompanhado pelo medo diante do desconhecido. \u201cEu recebi o laudo em fevereiro de 2020. Em mar\u00e7o, tudo fecha. E reviver, inclusive, aquele dia \u00e9 bem doloroso para mim, porque era algo t\u00e3o desconhecido, e a gente tem tanto medo do desconhecido, n\u00e9?<\/p>\n<p>E era algo desconhecido e sem nenhuma perspectiva. Ent\u00e3o eu acho que esse talvez seja o pior dos sentimentos que eu encontrei em todo o tempo&quot;, contou em entrevista \u00e0 TV Para\u00edba. Ediv\u00e2nia e o filho Davi Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o TV Cabo Branco Al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova rotina, a m\u00e3e passou a enfrentar desafios ligados ao tratamento do filho, ao preconceito em situa\u00e7\u00f5es do cotidiano e \u00e0 sobrecarga emocional causada pelo cuidado constante.<\/p>\n<p>Segundo ela, o desgaste psicol\u00f3gico chegou a afetar diretamente a pr\u00f3pria sa\u00fade mental. \u201cFui para o trabalho e, chegando no escrit\u00f3rio, eu entrei no escrit\u00f3rio, todo mundo falou, eu resolvi o que tinha pra resolver e eu disse: &#039;eu vou aqui e j\u00e1 volto&#039;. Eu estava com minha cabe\u00e7a que parecia que ia estourar.<\/p>\n<p>E ali eu des\u00e7o, venho para casa, chego em casa, n\u00e3o tem ningu\u00e9m. Coloco dois algod\u00f5es no meu ouvido, vou para debaixo de um edredom. Naquele dia, eu tive certeza que eu estava j\u00e1 entrando numa depress\u00e3o . Eu lembro do dia que eu fiz isso sentada no ch\u00e3o da minha casa, dizendo: &#039;eu preciso de ajuda&#039;, detalhou.<\/p>\n<p>A partir da busca por apoio, Ediv\u00e2nia afirma que passou a enxergar a maternidade at\u00edpica de outra forma. Para a filha dela e irm\u00e3 de Davi, Maria Eduarda Queiroz, a mudan\u00e7a de comportamento da m\u00e3e foi resultado da rede de apoio constru\u00edda ao longo dos anos. \u201cA maior diferen\u00e7a que eu vi foi ela, de fato, estar inclu\u00edda e dispon\u00edvel para entrar nesse mundo, ainda que muito incerto, e ver o quanto ela se esfor\u00e7ou para que o meu irm\u00e3o tivesse evolu\u00eddo hoje, seja em terapia, seja buscando ajuda, livros, pessoas, ou ter passado por situa\u00e7\u00f5es que talvez seja inimagin\u00e1vel uma m\u00e3e querer passar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Fam\u00edlia de Davi Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o TV Cabo Branco Atualmente, al\u00e9m de m\u00e3e at\u00edpica, Ediv\u00e2nia tamb\u00e9m atua como ativista e produtora de conte\u00fado sobre o transtorno do espectro autista. Segundo ela, a principal meta continua sendo garantir mais autonomia para o filho. \u201cEu acho que meu maior sonho hoje \u00e9 tornar Davi independente.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a minha maior luta. E atr\u00e1s dessa ativista tem essa, a m\u00e3e que quer torn\u00e1-lo independente\u201d, concluiu. A experi\u00eancia de Andreza, m\u00e3e de Antony M\u00e3es At\u00edpicas: m\u00e3e dedica a vida aos cuidados do filho com microcefalia Andreza recebeu o diagn\u00f3stico do filho Antony ainda durante a gesta\u00e7\u00e3o, em 2015, ap\u00f3s ser infectada pelo v\u00edrus da zika.<\/p>\n<p>Com dois meses de gravidez, ela foi informada de que o beb\u00ea tinha microcefalia, condi\u00e7\u00e3o que marcou o in\u00edcio de uma rotina de incertezas e adapta\u00e7\u00f5es para a fam\u00edlia. \u201cQuando a doutora Adriana Melo disse assim: \u2018ele tem microcefalia e a gente n\u00e3o sabe como \u00e9 que vai ser daqui pra frente\u2019, eu lembro que, dentro do banheiro, eu estava com minha m\u00e3e, nesse dia que meu marido n\u00e3o p\u00f4de ir.<\/p>\n<p>Dentro do banheiro do consult\u00f3rio eu ca\u00ed de joelho. Eu chorava, eu gritava, mas n\u00e3o pela patologia. Era a n\u00e3o compatibilidade com a vida\u201d, relatou. Andressa e Maur\u00edcio Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o TV Cabo Branco. Antes da gravidez, Andreza cursava nutri\u00e7\u00e3o em uma universidade de Campina Grande. Ap\u00f3s o nascimento do filho e a primeira interna\u00e7\u00e3o hospitalar, ela decidiu interromper a gradua\u00e7\u00e3o para se dedicar integralmente aos cuidados com a crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, a rotina da fam\u00edlia passou a ser organizada em fun\u00e7\u00e3o do tratamento de Antony, que n\u00e3o anda nem fala. H\u00e1 mais de dez anos, Andreza e o marido, Maur\u00edcio, percorrem cerca de nove quil\u00f4metros entre Lagoa Seca e Campina Grande para que o filho participe das terapias de reabilita\u00e7\u00e3o no Instituto Assistencial Professor Joaquim Amorim Neto (Ipesq).<\/p>\n<p>Andressa e Anthony Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o TV Cabo Branco No m\u00eas passado, Antony completou 10 anos. Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, Andreza afirma que o maior desejo da fam\u00edlia continua sendo celebrar a vida do filho. \u201cMeu filho nunca foi um peso na minha vida, nunca. E nunca vai ser\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A viv\u00eancia de M\u00f4nica com o filho Davi M\u00e3es At\u00edpicas: policial concilia trabalho e cuidados com filho com paralisia cerebral M\u00f4nica sempre sonhou em construir uma fam\u00edlia grande. Ap\u00f3s enfrentar dois abortos espont\u00e2neos e o nascimento prematuro do filho Davi, a maternidade passou a ser acompanhada por desafios emocionais e mudan\u00e7as profundas na rotina da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Davi nasceu com 32 semanas de gesta\u00e7\u00e3o, sofreu hip\u00f3xia cerebral e permaneceu entubado por 27 dias. O diagn\u00f3stico de paralisia cerebral esp\u00e1stica veio posteriormente, durante sess\u00f5es de fisioterapia realizadas na Universidade Estadual da Para\u00edba (UEPB). \u201cDurante essa intuba\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m sabe se houve hip\u00f3xia l\u00e1 tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o foi essa hip\u00f3xia que causou a paralisia cerebral esp\u00e1stica. S\u00f3 que o diagn\u00f3stico eu recebi quando eu tava fazendo fisioterapia com ele na Universidade Estadual da Para\u00edba. E, por acaso, as alunas estavam fazendo uma pesquisa sobre m\u00e3es de PCs, e elas me pediram pra participar\u201d, contou. \ud83d\udd0e A paralisia cerebral esp\u00e1stica \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica que afeta os movimentos e a coordena\u00e7\u00e3o do corpo, causando rigidez muscular e dificuldade para andar ou realizar atividades motoras.<\/p>\n<p>\u00c9 o tipo mais comum de paralisia cerebral e pode surgir ap\u00f3s les\u00f5es no c\u00e9rebro durante a gesta\u00e7\u00e3o, no parto ou nos primeiros anos de vida. M\u00f4nica e o filho Davi Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o TV Cabo Branco. Ap\u00f3s o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o, Davi tamb\u00e9m recebeu diagn\u00f3sticos de d\u00e9ficit cognitivo e autismo. Desde ent\u00e3o, ele depende de cuidados constantes da m\u00e3e, que organiza a rotina em fun\u00e7\u00e3o das necessidades do filho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da maternidade at\u00edpica, M\u00f4nica atua como tenente-coronel da Pol\u00edcia Militar da Para\u00edba. Segundo ela, a necessidade de conciliar a carreira profissional com os cuidados do filho trouxe sentimentos de culpa e sobrecarga ao longo dos anos. \u201cDurante muito tempo, ao longo desses 11 anos que Davi tem na minha vida, eu vivi essa loucura de ficar me achando uma p\u00e9ssima m\u00e3e, porque estava num momento de ascens\u00e3o profissional e n\u00e3o podia abrir m\u00e3o daquilo naquele momento.<\/p>\n<p>E depois, eu tinha que me dedicar a ele\u201d, desabafou. Apesar das dificuldades enfrentadas pela fam\u00edlia, o v\u00ednculo entre m\u00e3e e filho \u00e9 marcado pelo afeto e pela admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua. Davi afirma reconhecer o esfor\u00e7o di\u00e1rio da m\u00e3e. \u201cMinha m\u00e3e tem bastante cuidado por mim. O meu sonho \u00e9 cuidar dela. Quando eu preciso dela, ela me ajuda por tudo.<\/p>\n<p>Sou feliz, muito feliz por ela. Eu tenho minha fam\u00edlia no fundo do peito\u201d, disse. Para M\u00f4nica, as experi\u00eancias compartilhadas por m\u00e3es at\u00edpicas criam uma identifica\u00e7\u00e3o coletiva entre mulheres que enfrentam desafios semelhantes. \u201cA gente se v\u00ea representada nas hist\u00f3rias umas das outras. O que eu quero pra Davi \u00e9 viver o mundo l\u00e1 fora\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>M\u00e3es reunidas Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o TV Cabo Branco. Maternidade at\u00edpica A realidade enfrentada por m\u00e3es at\u00edpicas vai al\u00e9m das hist\u00f3rias de Ediv\u00e2nia, Andreza e M\u00f4nica. Desde o momento do diagn\u00f3stico dos filhos, muitas mulheres passam a lidar com uma sobrecarga emocional, f\u00edsica e financeira marcada por incertezas e mudan\u00e7as na rotina.<\/p>\n<p>Segundo a psiquiatra Isabella Florentino, o processo de receber um diagn\u00f3stico costuma ser acompanhado por sentimentos semelhantes aos vividos em um luto. \u201cComo m\u00e3e, ela fica impactada. Passa por fases de um luto, receber um diagn\u00f3stico desse tipo. A nega\u00e7\u00e3o, a raiva, e \u00e9 preciso que passe mesmo por esses processos at\u00e9 chegar na aceita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vai ser muito importante que ela tenha um apoio psicol\u00f3gico nesse per\u00edodo para poder ajud\u00e1-la a atravessar essa fase\u201d, afirmou. Mesmo ap\u00f3s a fase inicial do diagn\u00f3stico, especialistas apontam que m\u00e3es at\u00edpicas, principalmente aquelas sem rede de apoio ou independ\u00eancia financeira, est\u00e3o mais suscet\u00edveis ao desgaste emocional.<\/p>\n<p>Para a neuropsic\u00f3loga D\u00e9bora Paz, fatores como preconceito, falta de informa\u00e7\u00e3o e aus\u00eancia de suporte adequado contribuem para esse cen\u00e1rio. \u201cQuando ela vai sair com essa crian\u00e7a, ela em casa com essa crian\u00e7a, ela tem um n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o muito maior, porque a crian\u00e7a pode se machucar, ela pode se autolesionar, a depender do tipo, do n\u00edvel de suporte de autismo que ela tenha.<\/p>\n<p>\u00c9 uma m\u00e3e que socialmente ela pode se isolar. Ela prefere ficar com essa crian\u00e7a por constrangimento ou porque a sociedade n\u00e3o entende muitas vezes. Ent\u00e3o, \u00e9 uma m\u00e3e que tem um risco muito maior de ter ansiedade, depress\u00e3o, burnout materno\u201d, explicou. Al\u00e9m da sobrecarga emocional e da rotina intensa de cuidados, o impacto financeiro tamb\u00e9m faz parte da realidade de muitas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Segundo a especialista, os custos com terapias, tratamentos e acompanhamento especializado podem aumentar ainda mais a press\u00e3o sobre as m\u00e3es. \u201cFora a quest\u00e3o financeira, que muitas vezes o SUS n\u00e3o vai dar todo o tratamento que essa crian\u00e7a precisa, e a\u00ed ela vai ter que ter esse recurso, e a\u00ed problemas financeiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rie especial mostra rotina e desafios de m\u00e3es at\u00edpicas A maternidade \u00e9 marcada por uma rotina de cuidados, responsabilidades e dedica\u00e7\u00e3o constante. 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