Atraso na definição do vice de Lucas Ribeiro gera repercussão no cenário político da Paraíba
A lentidão do governador Lucas Ribeiro (PP), pré‑candidato à reeleição, em divulgar o nome escolhido para vice na chapa eleitoral, tem criado a impressão de que a escolha está sendo feita de forma “difícil”, o que tem movimentado o cenário político da Paraíba, marcado por pressões e intrigas de bastidores e por sinais de um impasse que ainda precisa ser superado.
Por outro lado, o senador Efraim Filho (PL), também pré‑candidato ao governo, tem adiado o anúncio sobre quem o substituirá, gerando especulações que giram em torno da primeira‑damas de Campina Grande, Juliana Cunha Lima, esposa do prefeito Bruno, aliado do parlamentar, bem como da possibilidade de Adriano Galdino, presidente da Assembleia Legislativa e filiado ao Republicanos, ser o escolhido.
Tanto Lucas quanto Efraim mantêm postura cuidadosa diante de pretensões espontâneas, apoiadas por grupos ou partidos, e de conjecturas veiculadas pela imprensa, fundamentadas em critérios como representatividade regional, capacidade de mediação política, potencial de colaboração efetiva com quem pretende liderar a gestão a partir de 2027 e, mais recentemente, o chamado “valor conceitual”. Na coluna “Mais PB”, o jornalista Heron Cid destaca que o “fator feminino” pode superar outros fatores, já que, em um ambiente plural, as mulheres têm conquistado cada vez mais espaço, demonstrando resiliência e influência direta junto ao eleitorado.
Segundo Cid, uma mulher inserida em João Pessoa, maior colégio eleitoral e região do principal adversário, Cícero Lucena (MDB), representa um perfil ideal para reforçar a mensagem e captar adesões. Ele ainda citou, em reunião de jornalistas, quatro nomes femininos: a ex‑secretária Rafaela Camaraense (PDT), a tenente‑coronel Viviane Vieira (PSB), a ex‑vice‑governadora Lígia Feliciano (União Brasil) e Maísa Cartaxo (Republicanos), esposa do ex‑prefeito e deputado estadual Luciano Cartaxo.
Embora haja uma constelação de nomes respeitáveis que despontam, não se configuram necessariamente como rivais de gênero; Adriano Galdino é considerado o candidato que reúne as condições mais completas – pela legenda do Republicanos, que tem forte presença local, pela sólida experiência em mediação política, essencial para reunir apoios em uma campanha majoritária, e pela abrangência geográfica, que vai além do entorno da Borborema, alcançando centros de grande, médio e pequeno porte, graças a ações de interiorização da Assembleia Legislativa voltadas à aproximação da opinião pública. Além disso, ele ajudaria a evitar fissuras internas dentro do Republicanos ao apoiar Lucas.
A principal preocupação para Galdino seria a confiança mútua, já que a lógica dominante considera que o companheiro de chapa deve estar alinhado ao titular para construir uma parceria que se consolida à medida que os laços se estreitam e as responsabilidades se definem. Eventuais desentendimentos entre Adriano e Lucas podem já estar sanados, como demonstra a postura de fidelidade do presidente da Assembleia nas votações do Executivo recentes. Adriano consolidou tanta influência na cena política estadual que, para seus aliados e adversários, é mais vantajoso tê‑lo como parceiro do que como rival, embora poucos o reconheçam como tal.
A trajetória livre de obstáculos permite ao pré‑candidato a governador evitar tarefas morosas que o afastariam do foco na administração, essenciais para almejantes de cargos de maior envergadura e para realizações políticas mais ambiciosas. A eventual ausência de uma mulher na vice‑presidência poderia ser suprida por um compromisso concreto de garantir a ocupação de pastas estratégicas na máquina estadual, destacando a capacidade resolutiva feminina e demonstrando a sensibilidade que essas lideranças possuem para humanizar a gestão, rompendo com práticas de isolamento e reforçando o diálogo com a população, que é o legítimo detentor do poder.
É fundamental que a decisão final, com todos os riscos e benefícios, seja tomada pelo próprio candidato a governador, que possui sua própria visão de companheirismo na chapa e cuja escolha pode até surpreender os analistas políticos, indicando um avanço rumo à consolidação do poder. O embate aberto que se avizinha permitirá avaliar o grau de acerto ou de erro que o atual governador, já elevado à vice‑governador por João Azevêdo e que agora ocupa o ápice da hierarquia do Palácio dos Despachos, esteja disposto a assumir.
O material foi disponibilizado em um endereço eletrônico, com o título “Vice de Lucas: um “parto laborioso” que agita o cenário político”, de autoria de Nonato Guedes.
Fonte: PolemicaPB
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