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Maranhão, primeiro governador reeleito da história da Paraíba

José Targino Maranhão, filiado ao PMDB, tornou‑se o primeiro governador reeleito da Paraíba após a redemocratização que puseram fim à ditadura militar. A Emenda Constitucional que autorizava a recondução à Presidência da República foi promulgada em julho de 1977, em contexto de alegações de compra de votos no Congresso envolvendo o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que venceu em 1998 sobretudo pela estabilidade cambial e pela baixa inflação. Estendida aos Estados, às capitais e aos municípios, a medida beneficiou governadores e prefeitos, permitindo que Maranhão garantisse a reeleição ao assumir o cargo interinamente após o falecimento de Antônio Mariz, em setembro de 1995.

Na campanha à reeleição, Maranhão quebrou o recorde de votos, com o deputado estadual Gilvan Freire (PSB) como principal rival, consolidando-se como um dos gestores mais votados proporcionalmente em âmbito nacional.

O grupo Cunha Lima viu a reeleição como obstáculo ao seu plano de colocar Cássio Cunha Lima como pré‑candidato dentro do PMDB, levando-o a confrontar a liderança de Maranhão. O embate foi desiguual porque Maranhão detinha a caneta de governador e o controle da estrutura do PMDB por meio de nomes de confiança, além de usar convenções para homologar candidaturas ao comando regional e à sucessão governamental. O ponto alto do desentendimento ocorreu em uma festa dedicada ao poeta e senador Ronaldo Cunha Lima no Clube Campestre, em Campina Grande, onde, em vez de se unirem, os aliados de Ronaldo praticamente desafiaram Maranhão, chegando a sugerir que JM entregasse o cargo por suposta incapacidade de enfrentar os desafios.

O chamado “clã” campinense ficou aprisionado dentro do partido, presos a um “jiqui” interno, e só poderia superar Maranhão se vencesse as convenções internas, algo que não ocorreu por causa de condições de temperatura e pressão desfavoráveis. Depois do pleito, os Cunha Lima trocaram de partido para o PSDB e, finalmente, chegaram ao Palácio da Redenção com Cássio em 2002, derrotando Roberto Paulino, então vice de José Maranhão e candidato a novo mandato.

Em meu livro “A Fala do Poder”, referi-me a José Maranhão como “tríplice coroado”, já que governou a Paraíba em três ocasiões ao longo de cerca de uma década. Esse percurso começou com sua ascensão após a morte de Antônio Mariz, seguiu com a reeleição contra Gilvan Freire e culminou na extraordinária nomeação em fevereiro de 2009, quando a Justiça Eleitoral o convocou a assumir o governo após a cassação de Cássio Cunha Lima por conduta vedada e improbidade administrativa. Tentou prolongar seu mandato em 2010, mas foi derrotado por Ricardo Coutinho, novo figura da política estadual, dissidente do PT, ex‑prefeito de João Pessoa em duas gestões, vereador e deputado estadual, que buscava uma trajetória própria dentro do PSB.

Em 2018, Maranhão concorreu novamente e viu o governo passar para João Azevêdo (PSB), eleito no primeiro turno; pouco depois, faleceu em São Paulo, vítima de COVID‑19, enquanto exercia seu segundo mandato como senador da República.

Apelidado de “Mestre de Obras”, Maranhão conduziu administrações voltadas para infraestrutura e abastecimento de água. No primeiro mandato, focou no equilíbrio das contas e, com mão de ferro, adotou o lema “Austeridade e Desenvolvimento”. No segundo mandato, transformou o lema em “Austeridade é Desenvolvimento”, transmitindo ao eleitor que o rigor fiscal‑financeiro implementado por seu governo já trazia benefícios ao crescimento econômico e social da Paraíba.

Sua trajetória biográfica registra a cassação pela ditadura militar, ocorrida quando, como deputado, se opôs ao regime e apoiou a Frente Parlamentar Nacionalista; a indicação de Maranhão como vice foi decisão pessoal de Antônio Mariz. Ele travou disputa interna com o deputado estadual Carlos Dunga, e foi Mariz quem definiu a escolha, optando pelo político experiente, descendente de família tradicional do Brejo paraibano.

Além de Maranhão, três governadores também conseguiram ser reeleitos no Estado: Cássio Cunha Lima, reconduzido nas urnas em 2006; Ricardo Coutinho, reeleito em 2014; e João Azevêdo, eleito em 2018 e reeleito em 2022, quando se desincompatibilizou em abril para disputar a vaga de senador nas eleições de outubro. O único governador recente que não alcançou a reeleição foi Roberto Paulino, então vice de Maranhão, que em 2002 chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Cássio Cunha Lima, o candidato que ficou de fora em 1998 dentro do PMDB.

A prática da reeleição ainda gera polêmica entre os políticos, com movimentos que defendem sua extinção alegando que beneficia quem está no poder, e já circulam propostas como a adoção de um mandato de cinco anos para o Executivo.

Contudo, o instituto criado por Fernando Henrique Cardoso permanece sólido, inserido na realidade política‑institucional brasileira.

O texto com o título “Maranhão, primeiro governador reeleito da história da Paraíba – Por Nonato Guedes” foi divulgado como matéria jornalística.

Fonte: PolemicaPB

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