Guerra do Paraguai: explicação e motivo da sensibilização de Lula com o trauma do conflito mais sangrento da América do Sul
O Paraguai, cuja população sofreu perda estimada em torno de 70%, viu o governo convocar o embaixador brasileiro em Assunção, em 30 de quinta‑feira, para entregar nota sobre as declarações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da Guerra da Tríplice Aliança. Na sexta‑feira (24), o presidente proferiu discurso em Jacareí (SP) defendendo investimentos na defesa nacional.
Lula declarou que o Brasil aprecia a paz, porém não pode olvidar que o Paraguai invadiu o Brasil, o Uruguai e a Argentina, citando: “A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina.” Ele ainda ressaltou que “E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”, afirmou. A convocação do embaixador funciona como instrumento diplomático para manifestar insatisfação formal ou solicitar esclarecimentos sobre atos de outro país, sendo considerado um dos episódios mais sangrentos da história da América do Sul.
A Guerra do Paraguai, também denominada Guerra da Tríplice Aliança, representou o maior conflito armado da América do Sul, ocorrido entre 1864 e 1870, e confrontou o Paraguai contra a aliança Brasil‑Argentina‑Uruguai.
O embate teve início em meio a disputas políticas na região do Río da Prata; em 1864 o governo brasileiro intervém militarmente no Uruguai durante sua guerra civil, o que levou o ditador paraguaio Francisco Solano López a apreender um navio brasileiro e declarar guerra ao Brasil.
Após alguns meses, forças paraguaias avançaram para áreas que hoje correspondem ao Mato Grosso do Sul e para partes da Argentina; em resposta, Brasil, Argentina e Uruguai assinaram, em maio de 1865, o Tratado da Tríplice Aliança, comprometendo‑se a combater o Paraguai até a derrota de López. A guerra durou quase seis anos e incluiu batalhas marcantes, como a de Tuiuti, em 1866.
Mesmo com vitórias iniciais, os paraguaios foram gradativamente derrotados; em janeiro de 1869 as tropas brasileiras tomaram Assunção, a capital paraguaia, e López resistiu no interior até ser morto em Cerro Corá, em 1º de março de 1870, fato que sinalizou o fim da guerra.
As consequências foram particularmente duras para o Paraguai, com a destruição de grande parte da infraestrutura, perda de territórios e uma severa crise demográfica. O número estimado de mortos foi de: Uruguai 3120, Argentina 18 mil, Brasil 50 mil; no Paraguai, acredita‑se que cerca de 150 mil pessoas tenham morrido, representando de 60% a 70% da população.
No Paraguai não há um consenso exato sobre o número de mortos, mas estima‑se que aproximadamente 150 mil paraguaios morreram, o que corresponde a 60% a 70% da população do país. Em resposta às declarações de Lula, o chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano afirmou que o governo defenderá a “dignidade” e os interesses nacionais, ressaltando que o assunto foi abordado em conversa telefônica entre o presidente Santiago Peña e o chefe de Estado brasileiro.
Em coletiva de imprensa, Ramírez Lezcano declarou que o governo compartilha o sentimento da população paraguaia a respeito de um episódio tão sensível da história nacional, afirmando: “A dignidade do Paraguai não é negociável. Quero que saibam que, sob a liderança do Presidente Santiago Peña, abordamos esta questão ao mais alto nível desde o início”.
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, participou de coletiva de imprensa, conforme indicado pelo Governo do Paraguai.
Na quarta‑feira (29), a Câmara dos Deputados do Paraguai publicou comunicado oficial repudiando as declarações de Lula, alegando que elas “distorcem e minimizam” a dimensão histórica do conflito, e que o presidente “desconhece a complexidade dos antecedentes, o profundo sofrimento humano sofrido pelo povo paraguaio” e as consequências da guerra.
Lula rotulou as declarações de Milei como “patacoada” e referiu‑se ao argentino como “aquela coisa”.
Em 22 de julho de 2026, o presidente Lula participou de cerimônia em Brasília, conforme registro da REUTERS/Adriano Machado.
Fonte: G1 Nacional
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