Centenas de diálogos privados do Claude foram expostos publicamente
O assistente Claude, desenvolvido pela Anthropic, figura entre os chatbots mais usados, competindo com o ChatGPT e o Gemini. Centenas de conversas de usuários com o popular chatbot de inteligência artificial da Anthropic, Claude, foram encontrados abertos para praticamente qualquer pessoa online. Os links para os chats, alguns dos quais incluíam informações pessoais e profissionais, apareciam quando um usuário de um mecanismo de busca como o Google utilizava um termo de pesquisa específico do site. As buscas mostraram que conversas do Claude, nas quais um usuário havia decidido “compartilhar” um link, foram salvas por mecanismos de busca como o Google, tornando‑as acessíveis ao público em geral.
A funcionalidade de pesquisa nos registros de conversas foi desativada no fim de semana, porém diversos chats já haviam sido arquivados e espalhados na internet. Segundo a porta‑voz da Anthropic, os usuários do Claude conservam a decisão de compartilhar ou não suas conversas. Ela declarou que os links “não eram previsíveis ou detectáveis, a menos que as pessoas optassem por compartilhá-los por conta própria”.
“Quando alguém compartilha uma conversa, está tornando esse conteúdo publicamente acessível e, como outros conteúdos públicos da web, ele pode ser arquivado por serviços de terceiros”, acrescentou a porta‑voz. A opção de compartilhamento do Claude informa ao usuário que “qualquer pessoa com o link” pode visualizar o conteúdo, mas não afirma explicitamente que o link pode acabar nos resultados de pesquisa no Google. Usuários do Reddit foram os primeiros a identificar os diálogos disponíveis, totalizando mais de 200 conversas com o Claude distribuídas em ao menos 25 resultados de pesquisa, algumas recentes.
As conversas exibiram pedidos variados. Em abril, um usuário requisitou que o Claude redigisse uma publicação sobre segurança na nuvem, contendo detalhes de um projeto empresarial. Já no mês anterior, outra pessoa indagou o assistente sobre “se tornar a Raposa de Nove Caudas”, manifestando o desejo de transformar‑se literalmente em uma criatura humana.
O Claude inicialmente propôs ao usuário a geração de uma imagem de IA, afirmando que havia obtido “poderes de raposa totalmente funcionais!”. Além disso, houve trocas em que pessoas pediram orientação para elaborar currículos, revelando nomes, contatos e trajetória profissional, e outras em que buscaram informações sensíveis, como transcrições de diálogos privados na área da saúde.
Ao enfrentar situação semelhante, a OpenAI modificou, no ano passado, o acesso aos registros de conversas do ChatGPT. O Grok, chatbot da IA do X, de Elon Musk, também viu centenas de milhares de registros divulgados publicamente no ano anterior por meio de buscas online. O porta‑voz do Google informou que a companhia não determina quais páginas se tornam públicas, pois essa decisão cabe aos proprietários dos sites.
“Oferecemos aos proprietários de sites controles claros para que decidam se as páginas podem ser rastreadas ou indexadas, e sempre respeitamos essas diretrizes.”
Com a indexação dos registros de conversa cessada nos buscadores, suspeita‑se que a Anthropic tenha empregado recursos para remover rapidamente os links desses diálogos dos resultados de pesquisa. O procedimento do Google para que o dono de um site bloqueie um link é simples, porém depende da iniciativa do próprio site. Buscas em Bing, Brave e DuckDuckGo, onde os diálogos do Claude também foram encontrados, foram contatados, mas não receberam resposta até a publicação desta matéria.
Fonte: G1 Nacional
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